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Compreender os juros compostos

A equipa editorial da Finvygo· 6 min de leitura

Fala-se muitas vezes dos juros compostos como de uma força quase mágica. A realidade é mais simples e mais interessante: trata-se de uma operação aritmética repetida. Compreendê-la ajuda sobretudo a ler corretamente a evolução do próprio património e a não se enganar sobre o que dela esperar.

Juros simples e juros compostos

Com juros simples, os ganhos calculam-se sempre sobre o montante inicial. Aplique 1.000 a 4 % ao ano: recebe 40 todos os anos, indefinidamente.

Com juros compostos, os ganhos de um período somam-se ao capital e passam a gerar ganhos por sua vez. No segundo ano, os 4 % já não incidem sobre 1.000 mas sobre 1.040. No terceiro, sobre 1.081,60. A diferença parece irrisória no início: é precisamente o que torna o mecanismo pouco intuitivo.

O prazo pesa mais do que a taxa

O efeito não vem do rendimento mas da sua repetição. Um capital que cresce de forma regular demora um certo tempo a duplicar e depois o mesmo tempo a duplicar de novo. Cada duplicação parte de uma base maior do que todas as anteriores juntas.

Por isso a maior parte do crescimento concentra-se no fim do período e não no início. Uma projeção interrompida cedo dá uma imagem enganadora.

Um exemplo numérico, a ler como ilustração

Tomemos 200 aplicados todos os meses durante 20 anos, com um crescimento hipotético de 5 % ao ano. Os reforços somam 48.000. Com a capitalização, o capital atingiria cerca de 82.000.

É uma ilustração aritmética, não uma previsão: pressupõe uma taxa constante, que nenhum investimento garante. Os rendimentos reais variam, por vezes negativamente, e o passado nada diz sobre o futuro.

O que reduz o efeito

Três elementos puxam no sentido contrário, e também se acumulam.

As comissões, primeiro: um custo anual reduz a base sobre a qual tudo o resto é calculado, ano após ano. Depois a inflação: corrói o poder de compra, pelo que um crescimento nominal pode esconder uma estagnação real. Por fim os resgates: retirar capital retira também todos os ganhos futuros que teria gerado.

Observá-lo no seu próprio património

A teoria verifica-se facilmente com números reais. Na Finvygo, a curva do seu património mostra o crescimento efetivamente registado, reforços incluídos, e não uma projeção.

O simulador de juros compostos serve para explorar hipóteses: variar o prazo, o valor dos reforços ou a taxa considerada, e ver como o resultado se desloca. É uma ferramenta de compreensão, não de previsão.

Os juros compostos não são uma promessa nem uma garantia: são uma mecânica de cálculo cujo efeito depende inteiramente do prazo, da regularidade e das comissões suportadas. A melhor forma de formar uma ideia correta continua a ser olhar para os próprios números.

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